Jovens encontram no Rap liberdade de expressão

Os Pacificadores esperam para apresentar no Poerão do Rock
Ao pé da letra, ritmo e poesia definem bem o RAP, mas para quem acompanha, o movimento tem um significado a mais. O estilo que surgiu na década de 60 e levado pelos jamaicanos para os bairros mais pobres dos Estados Unidos logo cativou jovens brasileiros. Para esses jovens, o motivo é simples: o País do carnaval e do futebol esconde a desigualdade social, preconceitos e corrupção, cenário ideal para compor músicas em forma de protesto.
O uso de gírias é comum nas letras, visando à proximidade com o público alvo, que, geralmente, vivem em periferias. A letra em forma de poesia e protesto traz relatos do dia-a-dia das favelas. Violência urbana, abusos cometidos pela polícia e política são alguns dos discursos dos rappers.
Jovens da ONG REC, do Recanto das Emas, conscientes do poder do movimento, realizaram a 6ª edição do Poerão do Rock. O evento reuniu grupos de RAP locais como Os Pacificadores, de Samambaia, Voz Sem Medo, Comunicação Racial, Ocorrência Criminal, do Recanto das Emas. O último grupo a se apresentar era o mais esperado do festival, Realidade Cruel, de São Paulo. O vocalista Douglas, explica o potencial do RAP no Distrito Federal. “ Eu tenho prazer em cantar aqui no DF, o povo é muito acolhedor. A cultura do Hip Hop se difundiu muito rápido e hoje traz grandes nomes do Rap como o GOG.” O rapper Douglas se sente a vontade para cantar na capital. “Aqui, em Brasília, o tipo de RAP já é mais pesado, no estilo de som. Nós fazemos um som pesado, com bastante energia e com bastante contestação no conteúdo das letras, então esse conjunto faz com que o público de Brasília se identifique muito”, afirmou.
Para a socióloga Mônica Mariano o hip hop é uma expressão da juventude que tem interesse numa crítica social. “Essa juventude por não ter à sua disposição os meios mais tradicionais de expressão da sua opinião, ela utiliza as músicas, as rimas e todo processo de crítica do que existe na sociedade, que é feito pelo hip hop”.
O ritmo ainda sofreu muitas influências musicais. Atualmente, o hip hop americano ganhou um apelo sexual e o apoio da mídia, o que não acontece no Brasil. Apesar de ter ganhado mais espaço, o estilo ainda é discriminado pela elite. Segundo a socióloga, a classe média aponta esses jovens como bandidos por estar numa posição de conforto. “O hip hop é marcado pela música típica de uma juventude à margem da sociedade, ou seja, uma juventude que, normalmente, é pobre e, portanto, fora desse circuito classe média ele acaba tendo um estigma de uma música como sendo de bandido, o que a gente sabe que não é verdade”.
Por: Michele Vieira