Depoimento do DJ Marola, “ex-viciado”

DJ Marola, em uma de suas apresentações

DJ Marola, em uma de suas apresentações

Numa entrevista com o DJ Marola (Máximo José da Silva) do grupo Voz Sem Medo, pode-se entender por que o Hip Hop transforma vidas. O primeiro contato com o Hip Hop aconteceu quando Marola tinha nove anos de idade; morador da Ceilândia presenciou os scratches do Dj Celsão. Costumava ir a vários bailes como o Quarentão, Primavera.entre outros; virou fã do Celsão. Mas foi como B.boy que ele entrou no Hip Hop e aos 15 anos já estava entre os três melhores de Brasília. Mas uma bala perdida quase lhe tirou a vida.

Logo após o incidente começou a usar droga, não foi por meio do Hip Hop e sim na rua que ele conheceu o submundo das drogas. “No começo foi por curiosidade,comecei com a cola de sapateiro até que um dia um “amigo” me apresentou a maconha, depois eu conheci a maldita merla”, explica. Foi a merla que o viciou. Então ele largou o Hip Hop e começou a roubar em casa para sustentar o vício. Os pais faziam o possível para ajudá-lo “Meus pais sempre foram bons comigo. Mas eu cheguei a um ponto que quando o meu pai me dava um tênis, eu usava apenas uma ou duas vezes e trocava por droga”.

Nesse meio tempo ele conheceu uma menina que sob sua influência também começou a se drogar; passado algum tempo se casaram, mas o casamento durou pouco com a separação veio à divisão dos bens, com aparte que recebeu Marola recorda que gastou tudo com drogas. Parecia não ter mais jeito. Ele chegou a ser internado numa clínica em Uberlândia (MG). A duração do tratamento era de nove meses, mas com apenas três meses e 16 dias ele decidiu sair, apesar de querer terminar o tratamento a saudade da família e dos amigos falava mais alto.

Ele voltou para Brasília evangélico. Reencontrou a ex-mulher, com quem voltou a se relacionar. No começo ia para a igreja, mas não resistiu, voltou a usar drogas e a roubar em casa; certa vez roubou todo o salário do pai “Esta foi a única vez que o meu pai quis me colocar para fora de casa” recorda. A situação estava difícil, os pais não sabiam mais o que fazer foi quando um primo que morava em São Paulo sugeriu que ele fosse para lá. Marola então se mudou para a favela do Paraisópolis e assim que chegou a São Paulo conseguiu emprego com carteira assinada graças ao primo. Mas antes de sair de Brasília a ex-mulher lhe disse uma frase que jamais sairia de sua mente “Ela me disse: Negão tu tá indo pra São Paulo, cuidado! Lá não é que nem aqui, lá tem o crack, você vai morrer!”.

Marola estava trabalhando, porém trocando a merla pelo álcool. Com o primeiro salário ele não resistiu e decidiu conhecer o crack (mesmo tendo sido avisado dos perigos). Uma pedra custava dez reais. Ele gastou todo o salário (mais de 200 reais) com crack. Porém não se viciou, pois segundo ele, fumava “diferente” “A falta da droga me deixava tremendo. Eu sentia tanta falta da merla que pegava a pedra de crack colocava na palma da mão, cuspia nela e amassava, quando ficava aquela pasta eu passava o cigarro de maconha, era assim que eu fumava”. Depois de gastar todo o dinheiro ele foi para casa e disse ao primo que foi assaltado; o primo ficou desconfiado, porém não disse nada.

Depois desse episódio ele conheceu a atual esposa em São Paulo e renasceu para o Hip Hop. Após conhecer a 24 de Maio (Meca do Hip Hop), ele foi conhecer a São Bento, onde B. boys e Mc`s se reuniam. Após ver pessoas como Thaide e Nelson Triunfo (ícones do Hip Hop nacional) ele conheceu um mundo novo. Toda a magia que envolvia o Hip Hop, o respeito que aquelas pessoas tinham por essa cultura, fez com que ele se identificasse e se apoiasse no Hip Hop para largar as drogas e mudar de vida.

Após acompanhar algumas batalhas de B. boys ele criou coragem e entrou na roda (na São Bento). Meio envergonhado, mas todos gostaram; este era o incentivo que ele precisava. Nessa época ele retomou o contato com o Chamas (vocalista do Voz Sem Medo) “Ele foi o único amigo que na fase ruim foi até a minha casa conversou e chorou com a minha mãe” lembra emocionado. Os dois participaram do primeiro concurso de Rap de Brasília.

O grupo Voz Sem Medo tinha outra formação, mas um dos integrantes decidiu sair, foi quando o Chamas convidou o Marola para formar junto com ele e o Djara um novo grupo com mesmo nome, porém mais consciência nas letras. O começo foi difícil, mas com uma participação no Cd do GOG eles conseguiram comprar uma MK2, mesa de som e microfone, se endividaram, mas segundo ele valeu à pena.

Nessa época, Marola mantinha um comércio informal entre Brasília e São Paulo. Levava Cd`s daqui para vender em São Paulo e vice-versa. Logo começou a vender para a Pró-Vinil que na época era do DJ Raffa, Ariel e  Celsão, e para a Cd Music Box; vendia também na feira do Rolo. No começo eram apenas roupas, mas logo Marola passou a vender roupas, que eram vendidas em casa e os primeiros compradores foram os grupos Relato Bíblico e Provérbio X. Os negócios iam bem e em 2003 ele comprou a Pró- Vinil que hoje vende roupas e Cd`s. O Voz Sem Medo lançou o seu primeiro single (Gangsta é a morte) que causou muita polêmica, pois denunciava quem quer ser gangster sem saber o que é ser gangster. Eles foram os primeiros a lançar Cd independente, já que existiam apenas duas gravadoras no DF, a Discovery e a Cd Box. “Hoje a maioria dos grupos lança Cd independente inclusive Racionais Mc`s” explica Marola.

O grupo Voz Sem Medo ganha destaque no cenário do Rap nacional consciente com músicas como “De herói a bandido” e “Ovelha negra”. Hoje Marola se considera um vencedor e agora define como “Ex-viciado, resgatado por Deus e pelo Hip Hop. Mas um soldado na luta contra os inimigos do vinil”, esta frase vem estampada na capa do seu Cd mais recente.

Por: Nayara Sousa

ONG REC RAP DJ Grafite Break Skate

1 Comentário

  1. 08/10/2009 às 2:54

    ola essa e uma grande estoria rezumida em poucas palavras, tenho a intenção d umdia lança um livro,mais fiquei felis com a materia muito obrigado, gostaria que vcs me enviace os comenterios c tive


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