Jovens educam pela arte

ONG formada por moradores do Recanto das Emas, utiliza elementos do Hip Hop para atrair adolescentes

Jovens do Recanto das Emas Crew (REC) durante reunião

Jovens do Recanto das Emas Crew (REC) durante reunião

Criado nos Estados Unidos, em meados da década de 70. O Hip Hop nasceu nos bairros pobres e predominantemente negros. A criação deste novo estilo se deu na tentativa de reduzir as brigas entre gangues nos guetos norte-americanos. Os DJ`s África Bambaataa e Grandmasther Flash perceberam que a juventude estava se destruindo por motivos fúteis como a rivalidade entre bairros. Por isso, eles sugeriram que as gangues passassem a se enfrentar por meio da arte, ou melhor, se enfrentassem através dos quatro elementos do Hip Hop. Muitos aceitaram a tal proposta e o resultado foi a consolidação de um novo estilo de vida.

O Hip Hop é formado por quatro elementos, o RAP é a música,caracterizada por letras de crítica social; o grafite que é a arte plástica, muitas vezes chega a ser abstrata e extremamente colorida; o DJ é responsável pela parte percussiva e o break é dança que mistura movimentos de ginástica olímpica e movimentos do cotidiano.

No Brasil estes elementos chegaram por volta de 1979, com o lançamento do single Rapper`s the light, gravada pelo rapper Sugar Hill Gang, nos bailes a música era conhecida como Melô do Tagarela por causa da forma acelerada com que ela era cantada. Em São Paulo, o novo estilo virou mania nas favelas e logo surgiram os primeiros grupos do país que lançaram uma coletânea em 1981, entre os grupos destaca-se Tayde e DJ Hum. Até hoje o subúrbio paulista se destaca no cenário do Hip Hop nacional com grupos como Racionais MC`s e Facção Central. Nos demais estados brasileiros o movimento também é forte, principalmente no Distrito Federal, onde o Hip Hop ganha força nos projetos sociais. Muitos grupos se preocupam com o bem-estar dos jovens que moram na periferia, por isso, é comum ver trabalhos de conscientização criados por pessoas ligadas ao movimento Hip Hop. Um exemplo é a ONG Recanto das Emas Crew (REC)

A REC surgiu com a união de jovens que moravam na cidade e praticavam os elementos do Hip Hop “no inicio a gente só queria juntar uma galera que representasse o Recanto, mas com o tempo as responsabilidades aumentaram e por isso criamos a REC” relembra o presidente da instituição,Tom. Criada a três anos, a ONG realiza oficinas de RAP, break, grafite, teatro e skate. Elas são realizadas nas escolas por que a REC não possui patrocínio, nem sede, por isso o apoio de professores é de suma importância. A educação é uma das preocupações da ONG, pois “a educação é à base de tudo, quem não se preocupa com a educação não se preocupa com o futuro”, diz Tom e por isso, há o acompanhamento escolar dos alunos da REC.

Além das oficinas, a ONG também participa de eventos para o lazer da comunidade e para a difusão do Hip Hop. O último evento realizado com a participação da REC aconteceu nos dias 27 e 28 de junho, no Skate Parque localizado no Recanto das Emas. O Poerão do Rock, reuniu mais de 3 mil pessoas que assistiram o campeonato de skate e shows com grupos renomados como Ideologia e Tal e Realidade Cruel. A participação da ONG se deu no auxílio com os grupos de RAP e os grafiteiros que coloriram o local. Foi pacifico e “importante para a comunidade se divertir”, relata o Sargento Edimilson da 27° Delegacia de Polícia, que fazia a segurança do local.

Mesmo com iniciativas como esta, o Hip Hop ainda é mal visto pela sociedade. Por isso, ele continua atrelado aos bairros pobres. No entanto, professores começam a apoiar o novo estilo na tentativa de atrair os jovens para as salas de aula. Para a jornalista e professora, Larissa Ribeiro, esta é uma alternativa válida pois, “a dedicação dos jovens neste tipo de projeto faz com que eles larguem a atividade que eles faziam antes. Então o jovem ao invés de beber com os amigos ele vai para o grupo de Hip Hop aprender o novo passo. E fora a questão do aprendizado está envolvido nas próprias coreografias do Hip Hop, então eles têm um estímulo muito maior até para se tornarem mais disciplinados”.

Por: Nayara Sousa

RAP DJ Grafite Break Skate

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