Depois dos 60 anos, Maria e Antônio vivem um novo amor.
A maturidade fortalece os relacionamentos afetivos entre pessoas da terceira idade
Com a proximidade do dia dos namorados, entram em cena o romantismo e a sedução entre os casais apaixonados. A data, comemorada no próximo dia 12, inspira jovens namorados a trocarem presentes, agrados e carícias. Para os solteiros de plantão a paquera rola solta. Mas, engana-se quem acha que pessoas que já passaram dos 60 anos estão ficando para trás no quesito amor. Antônio Alves do Nascimento, 68, e Maria Bernadete Diniz, 63, são a prova de que pensar que as pessoas perdem o interesse e o desejo sexual à medida que envelhecem é uma idéia errônea e preconceituosa.
Namorando há três anos seis meses eles mostram que a paixão não tem idade para acontecer. Contam com a experiência adquirida ao longo da vida para um relacionamento maduro, seguro. Ela viúva, com cinco filhos, ele casado, com três, vivem um compromisso incomum. A família dele desconhece a relação e apenas a filha dela sabe e aceita. Apesar de Antônio ser casado, ele garante amar apenas Maria Bernadete, mas não pretende casar. Ela não se incomoda com isso. “Meu pai me segurava em casa, só tive dois namorados e com o segundo me casei, e logo, fiquei viúva, só agora aprendi a viver”, desabafa ela.
Amantes da diversão, os aposentados se conheceram durante os bailes realizados pela Associação de Idosos de Taguatinga. Toda disposição que o cearense e a mineira encontraram para dançar até anoitecer reflete na vida sexual do casal, que garante estar de vento em polpa.
Maria Bernadete e Antonio Alves fazem parte de uma nova geração de idosos, que busca viver intensamente a vida. Segundo a sexóloga Rosenilda Moura da Silva, fatores culturais, psicológicos e de crença difundidos entre a sociedade fazem com que pessoas que atingem a terceira idade coloquem a sexualidade em segundo plano, diminuindo o contato sexual entres os idosos. “O contato sexual deveria ser mais estimulado para desenvolver a qualidade de vida do idoso”, defende a sexóloga. O preconceito das famílias e sociedade é fruto da falta de informação quanto à sexualidade dos idosos. Quando falam abertamente do assunto as pessoas com mais de 60 anos são vistos como assanhados e, por isso, muitos abrem mão da satisfação para evitar comentários maldosos. Em decorrência disso, a doutora aponta que um alto índice de idosos optam por um ato solitário, a masturbação, que libera substâncias proporcionando prazeres.
A sexóloga também desmistifica a necessidade de usar medicamentos, como viagra, para conseguir realizar um ato sexual. “Pasme, mas o uso de tais remédios tem se difundindo entre jovens, com a intenção de aumentar a potencia sexual”, revela a doutora.
O uso de camisinha é uma recomendação para todos, inclusive para pessoas da terceira idade, já que o fim da vida reprodutiva não significa o fim da vida sexual. Estando todos propensos às doenças transmitidas sexualmente. “Pela vergonha, o sexo não é um assunto discutido dentro dos consultórios com os idosos com o médico. E isso, chama a atenção para o alto índice de idosos contaminados com o vírus HIV”, explica a doutora.
A sexualidade não se resume na realização do coito. O casal pode substituir o ato sexual por toques e carinhos, que ficam por conta da imaginação, e proporcionar uma satisfação diferente. Já que o avanço da idade aumenta a necessidade de estímulos, pois com as mudanças fisiológicas existe certo desconforto. A sexóloga Rosenilda recomenda que se mantenha uma vida sexual ativa para aumentar a qualidade geral de vida. ‘Cuidado com a aparência, diálogo com o parceiro e aumento da caricias podem melhorar a relação de um casal.” Antônio Alves e Maria Bernadete são a prova de que a idade promove mudanças na forma de amar, mas não a falta de amor.
Michele Vieira